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CRIAÇÃO DE PSICONS POR
QUASARES
G. S.Sarti
(IPPP/ABRAP) – 03/2009
Publicação original de 1991
1 - QUASARES
Os últimos quasares (quase -
estrelas) descobertos indicam desvios muito grandes para o vermelho.
O desvio para o
vermelho (red-shift) dá a medida da velocidade de
afastamento dos corpos e aglomerados galácticos. Quanto maior a velocidade
de afastamento dos corpos e aglomerados galácticos. Quanto maior a
velocidade de afastamento (recessão das galáxias) maior é o enfraquecimento da
energia luminosa, fato que é traduzido pelo red-shift de um componente padrão
como por exemplo o Cálcio. O padrão espectral do Cálcio ou do Hidrogênio
medido na Terra e recebido de um quasar pode indicar velocidades de recessão que
atingem 91% da velocidade da luz, ao empregarmos a equação do efeito Doppler do
desvio para o vermelho, corrigida relativisticamente. O quasar PKS 2000 -
330 apresenta desvio de 4,5 entre a luz emitida pelo astro e a luz recebida na
Terra.
Este é um dado
digno de consideração porque os modelos cosmológicos atuais, basicamente o de
Friedmann, chegam a resultados que dependem muito de
aproximação para pequenas distâncias e pequenas velocidades.
O modelo de Friedmann, elaborado
em 1922, é uma aplicação da Teoria da Relatividade Geral de Einstein (1916) .
Um modelo anterior, do
holandês de Sitter (1919) indicava que um universo hiperbólico vazio de
matéria apresentava espaço em constante expansão. Porém, apesar de em
uma primeira instância isto indicar uma possibilidade de explicação do
red-shift, a introdução de matéria criava paradoxos internos ao modelo.
Anteriormente, o próprio Einstein havia concebido um espaço cheio de
matéria, mas estático, o que não concordava com a expansão cosmológica
depois observada. Imagina-se que um universo em expansão, comprovado
pelo red-shift, teria tido um começo.
Foi sugerido por Gamow
(1948) que este começo, chamado big-bang, seria responsável por uma radiação
de fundo que, por cálculos realizados, corresponderia a aproximadamente 3 K.
Penzias e Wilson, em 1964,
conseguiram, por acaso, medir uma tênue radiação de microondas, a 3 K,
isotrópica, isto é, proveniente de todas direções, e sua descoberta bastou
para confirmar o big-bang. Penzias e Wilson 10 anos mais tarde foram
agraciados com o Prêmio Nobel de Física.
Porém, em 1979, Woody e
Richards, de Caltech, mediram desvios no espectro da radiação de fundo que
não concordavam com o espectro de corpo negro que se supunha ter o ruído do
big-bang. Pelo contrário, posteriormente pôde ser comprovado que o
espectro de radiação de fundo concordava mais com a teoria da re-emissão de
Rees do que com a do big-bang.
3 - HUBBLE
O trabalho de
Hubble consistiu em relacionar velocidades e distâncias, através de medições
convencionais e do red-shift, para encontrar uma constante chamada constante de
Hubble.
A constante de
Hubble aceita hoje é de (18 x 109 anos)-1, embora até
valores duas vezes maiores sejam indicados por medições mais recentes (Vaucouleur,
por exemplo).
Expressa em
segundos, a constante Ho de Hubble seria da ordem de (5,7 x 1017s)-1.
Basicamente a
lei de Hubble, obtida teoricamente do princípio cosmológico de Friedmann, indica
que as relações entre velocidades de recessão entre os aglomerados, chamados
"grupos locais" e a distância entre eles, são invariáveis.
Aplicando-se a
velocidade de recessão do quasar PKS 2000-330, 91% da luz, igual a 2,7 x 108
m/s, à lei de Hubble, descobriríamos a distância (hoje ou quando da emissão?) de
15,4 x 1025 m entre ele e a Terra.
Note-se que a
pergunta entre parênteses relaciona-se com a questão formulada no item 1 sobre
aproximações matemáticas a pequenas distâncias no modelo de Friedmann.
O Diagrama de
Horta Santos modificado por Hubble ilustra bem a situação.
Caso pensemos em
universos curvos (ou se o pensássemos considerando-se variações na curvatura
entre emissão e recepção) expandindo-se em co-movimento grupos-locais
referenciais e fluido cosmológico, em uma quarta dimensão espacial, teríamos que
os desvios medidos hoje refeririam-se à luz enfraquecida enviada do passado.
Nesse caso, o quasar emissor já teria percorrido uma considerável distância e
sua velocidade seria maior, se aplicássemos a mesma constante de Hubble com
leves desacelerações na expansão (Sandage), aproximadamente 1,5 para 95% de
confiabilidade (Seria o mesmo que ele equivalesse a um outro quasar mais
longínquo).

O tempo t1
- t0 que a luz percorreria do instante de emissão ao instante da
medição do red-shift na Terra seria igual à divisão entre a distância antes
obtida aplicando-se Hubble e a velocidade c da luz (300.000 km/s).
Ter-se-ia uma
diferença de tempo de 5,1 x 1017 s. Como
indica a teoria, a relação entre a aceleração e a distância - "d" / d, é
igual a q0H02.
Com isso - "d" /
d = 4,7 x 10-36 m/s2.m
Cinematicamente,
ter-se-ia (por Newton) uma distância percorrida pelo quasar de 8,6 x 1025
m. Quando somamos esta distância à distância anterior em que o quasar
estava na emissão do sinal luminoso, encontramos uma distância real hoje de 24 x
1025 m.
Se a lei de
Hubble é válida, a velocidade do quasar para tal distância hoje é de 1,4 vezes a
velocidade da luz. Ainda, se a equação de massa corrigida
relativisticamente estiver correta, para nos, hoje, PKS 2000 - 330 é imaginário.
Ainda, se Ho fosse hoje duas vezes maior que aqui considerado, o quasar teria
uma velocidade 30% superior à da luz, com aceleração da expansão.
Conforme a
teoria dos psicons, para nós, hoje, o quasar é informação e a Terra não foi
tragada por uma massa infinita nas franjas do universo, isto é, a velocidade da
luz foi contornada para nós.
APÊNDICE
RELATIVIDADE
GERAL E COSMOLOGIA
Podemos supor
que o universo em três dimensões espaciais seja expresso pela fórmula mais
simples da esfera em coordenadas cartesianas, sendo "a" o raio da esfera e os
"x" as coordenadas:

Ao introduzir-se uma quarta coordenada, ter-se-á a
hiperesfera:

Vê-se, em princípio, que as métricas da hiperesfera são todas
iguais a 1, isto é, os coeficientes métricos que pesam sobre o raio, por sua
influência nas coordenadas, também não são interdependentes (não se tem nenhum
elemento em x1x2, x1x3,
etc...).
Os arcos da esfera, elementos de arco, são dados por d1.
Mantido o raio "a", os arcos podem ser medidos por variações infinitesimais dos
comprimentos das coordenadas, de tal sorte que:

Se supusermos uma esfera em três dimensões envolvida em uma
quarta dimensão, então o elemento infinitesimal de arco será expresso sem a
quarta coordenada:

Na Teoria da Relatividade Geral, a curvatura de uma
hiperesfera em "n" dimensões é dada por um grupo de quantidades designado como:

Tais quantidades são funções das variações infinitesimais da
métrica em relação às variações infinitesimais das coordenadas associadas às
outras métricas, variações de primeira e segunda ordens. Em geral,

Nesse caso, estamos utilizando apenas as segundas variações
entre métricas e coordenadas. Tal "tensor" simplificado significa que, em
uma primeira instância, por exemplo, na origem das coordenadas, não há variações
primeiras entre métricas e coordenadas. Num ponto escolhido, então, a
geometria métrica é do tipo euclidiano, não curva. Fora da origem, a
geometria poderá ser curva e então poderá haver segundas variações
interdependentes. Pode-se dizer ainda que as variações das métricas
independem das direções em que foram consideradas as coordenadas (isotropia)
devido à uniformidade de distribuição de matéria sobre a hipersuperfície.
Estamos considerando métricas tridimensionais, a serem representadas
por "γ". Quando passamos de "n" para três coordenadas, vem:
2Rαβµν
= γαβ
γµν + γµβ γαν+
γβα
γνµ + γνα
γβµ - (γµα
γνβ + γνα
γµβ ) - ( γαµ
γβν + γβµ γαν
)
Rαβµν
= γαβ
γµν - γαµ
γβν
Nesta transposição, de "n" a três dimensões, admite-se, pela
isotropia, que um fator λ influencie igualmente todas as operações. Nesse
caso,
Rαβµν
= λ ( γαβ
γµν - γαµ
γβν )
Por uma propriedade notacional chamada "contração
tensorial".
Rαβ
= gµν Rαβµν
(tensor de Ricci).
Tal propriedade diz que tensores de sufixos de variância
invertida são cancelados porque, sendo a notação tensorial uma simplificação da
soma, então as somas de variações métricas em relação às coordenadas
correspondentes não possuem significado matemático.
O tensor de Ricci terá a expressão:
Rαβ
= - γαβ ( γ11
+ γ22 + γ33)
onde desprezou-se os termos de variações cruzadas entre
métricas e coordenadas, para o caso de isotropia. Dando índices de 1
a 3 (três dimensões) a "α"
e "β" tem-se:
R11 = - γ11 (γ11 + γ22
+γ33) + γ112 + γ122
+ γ132
R22 = - γ22 (γ11 + γ22
+γ33) + γ222 + γ212
+ γ232
R33 = - γ33 (γ11 + γ22
+γ33) + γ332 + γ312
+ γ322
Contraindo-se novamente, obtém-se a curvatura escalar, que é
o que nos interessa:
R = gαβ
Rαβ
= R11 + R22 + R33
Dando valores unitários para índices repetidos, como
exigência da hiperesfera considerada (Friedmann) e desprezando-se os termos
cruzados vem:
R = 6 λ
, em módulo
Teoricamente, as contrações feitas podem ser sintetizadas
como:
R = gαβ
gµν Rαβµν
Três considerações devem ser feitas. A primeira é que
tem-se uma superfície tridimensional espacial envolvida em uma quarta dimensão x4.
Isso justifica a introdução de um fator corretivo. Ao admitir-se a
isotropia e a homogeneidade da superfície admite-se, também, que, se ela contém
matéria, a influência desta é idêntica em qualquer direção e pôde ser chamada de
λ .
Em segundo lugar, e fundamenta, é que, por analogia a uma
hiperesfera de três dimensões envolvida em uma quarta, a curvatura é de R = 6 /
a2. Assim, λ
= 1 / a2, "a" sendo considerado o raio da curvatura do universo
tridimensional alterando-se em uma quarta dimensão.
Finalmente, é interessante ressaltar-se que tal superfície
não mantém as relações normais 2π entre seu arco total de uma
circunferência e seu raio da mesma.
Em outros termos, a curvatura escalar não é uma constante
como no caso da esfera "rígida". Isso significa que a curvatura (raio de
curvatura), dada como coeficiente de expansão (ou de contração), varia ao longo
do tempo. Caso for esta a curvatura de um universo em expansão, as
relações de curvatura entre diferentes momentos de tempo serão equivalentes às
distâncias entre pequenos grupos locais de matéria e, em consequência, manterão
uma relação constante com os desvios para o vermelho devidos à fuga recíproca. |